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A eficácia da psicanálise: para além da ideia de cura

  • emersonmattos5
  • 5 de jan.
  • 2 min de leitura


A psicanálise funciona? Essa é uma pergunta frequente — e legítima. Em um mundo cada vez mais orientado por soluções rápidas, protocolos e resultados mensuráveis, a psicanálise costuma causar estranhamento. Afinal, como algo que se constrói pela palavra, pelo tempo e pela escuta pode “funcionar”?

Antes de tudo, é importante esclarecer: a psicanálise não funciona no mesmo registro que uma técnica de correção de comportamentos ou de eliminação imediata de sintomas. Seu objetivo não é adaptar o sujeito a um ideal de normalidade, mas possibilitar que ele se confronte com aquilo que o faz sofrer.

Freud já indicava que o sintoma não é um erro a ser apagado, mas uma solução inconsciente para um conflito psíquico. A psicanálise funciona justamente quando permite que o sujeito compreenda a lógica do seu sofrimento, dando lugar àquilo que antes se repetia sem sentido.

Do ponto de vista clínico, “funcionar” não significa prometer felicidade plena ou ausência de angústia. Funciona quando o sujeito passa a falar de si de outro modo, quando algo da repetição cede, quando escolhas deixam de ser vividas como destino inevitável. Muitas vezes, o efeito analítico se manifesta em pequenas mudanças: um deslocamento no modo de se relacionar, uma nova posição diante do desejo, uma maior responsabilidade sobre o que se vive.

Na psicanálise, o tempo é um elemento fundamental. Não se trata de rapidez, mas de elaboração. Cada análise é singular, assim como cada sujeito. Por isso, não há garantias padronizadas nem resultados universais. O que há é um método rigoroso de escuta, sustentado pela ética do desejo e pelo respeito à singularidade.

Portanto, a psicanálise funciona — desde que não se espere dela o que ela não se propõe a oferecer. Ela funciona quando há implicação do analisando, quando a palavra encontra espaço para circular e quando o sofrimento deixa de ser apenas algo que acontece ao sujeito para se tornar algo sobre o qual ele pode dizer algo.

Talvez a pergunta mais próxima da experiência analítica não seja “a psicanálise funciona?”, mas: o que pode acontecer quando alguém se permite falar e ser escutado sem julgamentos, conselhos ou respostas prontas?

 
 
 

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